O empate com a Seleção Brasileira: os 30 anos de um jogo que ficou para a história do São Luiz

Era uma noite fria em Porto Alegre, dia 02 de julho de 1991. Equipes alinhadas de manga comprida no Beira-Rio em jogo-treino preparatório para o Sul Americano que seria disputado no Chile. Foi nesse cenário que o São Luiz arrancou um empate sem gols da Seleção Brasileira, em uma pequena Copa do Mundo particular. O Rubro enfrentava os craques do país entre dois jogos da sua principal competição naquele momento, a Copa Governador.

A Seleção ficou uma semana em Porto Alegre porque queria aclimatar o grupo a uma temperatura mais próxima ao do país vizinho, com auxílio da Federação Gaúcha de Futebol, presidida à época pelo ijuiense Emídio Perondi. Só empatou com o Rubro, depois ainda enfrentou e venceu o Aimoré e o Lajeadense, com duas goleadas, 6 a 0 e 4 a 0, respectivamente.

De um lado o São Luiz com elenco formado por Betinho, Caçula, Café, Negrine, Polaco, Kiko e outros, time treinado por Cassiá Carpes. Do outro, a Seleção Brasileira com Taffarel, Mazinho, Mauro Silva, Renato Gaúcho, Neto e Careca, comandada por Paulo Roberto Falcão. O contexto que se criou nessa partida, com o Rubro fechando todos os espaços e criando chances, até colocou a torcida presente nas frias arquibancadas a favor do time de Ijuí. Um empate sem gols, resultado que o clube trouxe para casa com orgulho.

O jogo teve repercussão na imprensa, claro, e foi capa do Jornal da Manhã do dia seguinte, 3 de julho de 1991, em texto assinado por João Paulo Messer, que escrevia da capital gaúcha:

“O São Luiz entrou em campo ontem a noite em clima de jogo válido pela Copa do Mundo, e a Seleção de Falcão teve que amargar um jogo treino que não passou do empate (…) . A Seleção Brasileira teve problemas no meio campo, e os sucessivos erros de ataque acabaram garantindo apoio da torcida ao São Luiz…”.

A escalação do Rubro: Jânio, Polaco, Caçula, Newmar, Kiko, João Luiz (Nelson), Negrini, betinho, Solis, Café (Ari) e Edmundo.

 

Quem esteve em campo naquela noite também não esquece:

“Foi uma grande chance ao São Luiz, após a grande campanha feita no campeonato regional. A Federação entendeu a fase que o clube passava e deu esta oportunidade aos jogadores. Fica na memória porque foi a única equipe que empatou com aquela Seleção”, lembra o técnico do time na época, Cassiá Carpes.

“Para nós atletas foi muito marcante. Foi um merecimento por tudo que fizemos naquele ano, batendo de frente inclusive com as equipes da capital. Conseguimos anular as principais jogadas da Seleção e tivemos a chance de ganhar o jogo. Esse jogo repercutiu muito positivamente na carreira dos jogadores de 91”, avalia o ex-jogador Betinho.

“Foi o único time que conseguiu, na fase de preparação, parar uma Seleção que tinha várias estrelas, um grupo que foi base para o tetracampeonato em 94. O nosso time era como uma grande família e a nossa concentração era muito grande, em especial com a nossa competição, a Copa Governador”, conta o ex-atleta Café.

Episódio especial em podcast

E foi assim que, há 30 anos, o São Luiz construiu mais um capítulo da sua rica história, com um dos times mais marcantes que já vestiram as cores do clube. História esta que será tema do próximo episódio do Rubro na Veia, o podcast oficial do clube, com entrevistas e detalhes sobre esta partida. Em breve nas plataformas de streaming. Não perca!

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